sexta-feira, 11 de dezembro de 2015




HABILIDADES E COMPETÊNCIAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA:
 ALGUMAS REFLEXÕES A PARTIR DA JORNADA PEDAGÓGICA 2015

Camila Baratto Bataglin[1]
Carini de Fátima Ribeiro Hinnah[2]
Raquel Taís Breunig[3]

A necessidade de formar sujeitos críticos e profissionais competentes para atuar no mercado de trabalho exige das escolas um repensar das propostas pedagógicas para que seja possibilitado ao aluno o desenvolvimento de competências, ou seja, que este seja capaz de saber agir e saber fazer. Apesar de sermos instigados constantemente a realizar este processo de repensar e refletir as práticas pedagógicas quanto à possibilidade de desenvolver habilidades e competências no educando, a partir de documentos oficiais, como os Parâmetros Curriculares Nacionais e os Referencias Curriculares do Rio Grande do Sul, acreditamos que existam grandes fragilidades quanto à conceituação e entendimento do que são e como as mesmas devem ser desenvolvidas.
Conforme Perrenoud (2013, p. 9-10) existem três fragilidades quanto ao entendimento do que são habilidades e competências:

- A primeira fragilidade é conceitual. Enquanto a noção de competência continuar vaga, incerta e definida por cada um à sua maneira, como saber se a escola atual desenvolve competências? Do que estamos falando, exatamente?
- A segunda fragilidade é de ordem empírica: supondo que tivéssemos uma definição estável e precisa das competências, em que dados poderíamos nos fundamentar para saber se a escola já estaria desenvolvendo as competências definidas e, em caso afirmativo, quais seriam essas competências? Bastaria ter como referência as intenções declaradas ou seria necessário observar os efeitos da escolarização por meio de enquetes realizadas com jovens de 15, 20 ou 25 anos?
- A terceira fragilidade está relacionada à ideia que se tem a respeito das missões da escola. A sua função consiste em desenvolver competências? Se, tendo como referência a definição das competências, constatássemos que a escola não as desenvolve ou o faz de modo insuficiente, isto seria um problema? Isto seria motivo de regozijo ou de preocupação?


Perrenoud (2013) caracteriza de forma clara as fragilidades e questionamentos que se evidenciam em nossa reflexão e prática docente. Foi nos “imposto” que formássemos sujeitos que saibam fazer e capazes de resolver problemas, exigindo dos professores que tudo que é ensinado tenha sentido, seja útil e imediato (FURTADO, 2015).
A partir desta breve reflexão entende-se que, sim, é importante considerar nas práticas de ensino e nos documentos escolares o desenvolvimento de habilidades e competências. Algumas leituras, e a palestra desenvolvida por Julio Furtado, possibilitam arriscar e conceituar de forma simples, no que de fato, consiste a habilidade e a competência no ensino. A habilidade pode ser entendida como um treinamento, por exemplo, saber fazer cálculos de adição, subtração, multiplicação e divisão com os números reais.
No entanto, hoje há a necessidade de que as aprendizagens sejam transferidas para situações reais, exigindo que se desenvolvam no aluno várias habilidades. Neste momento é que se destacam as competências, pois elas exigem do sujeito diferentes habilidades, ou seja, “’Competência é a capacidade de mobilizarmos nossos equipamentos mentais para encontrar saídas, para resolver problemas’ e, de maneira mais simplificada, a ideia de competência se associa ao saber fazer (SELBACH et al., 2010, p. 57).” Além disto, é importante destacar que uma habilidade pode ser aplicada em diferentes competências.
Esta conceituação possibilita entender a necessidade de se levar à sala de aula situações relacionadas ao cotidiano, possibilitando a aplicação dos conteúdos em problemas reais. Apesar de se estar desenvolvendo competências, estas não são absolutas, estão sempre em processo de desenvolvimento. Por este motivo, é necessária a preocupação com as quatro dimensões das competências, que são, conhecimento, habilidades, atitudes e experiências. Além disso, ter claro o que as envolve:
- A capacidade de solucionar situações complexas que exijam conhecimentos e habilidades de diferentes naturezas;
- O fazer escolhas, decidir, mobilizar recursos e agir;
- Um atributo do sujeito e não da situação complexa;
- Na avaliação, é essencial observarmos competências e performance.
Estas reflexões possibilitam concluir que é algo fundamental para a educação se pensar as competências e habilidades juntas, pois o aluno precisa saber fazer e saber o que fazer diante de diferentes situações. Para tanto, é importante mediar a aprendizagem, na qual o professor é intermediário entre o saber e o aluno, ou seja, o professor precisa se preocupar com a aprendizagem do seu educando, não com o “vencer” conteúdos, possibilitando que de fato o indivíduo em formação seja competente.


Referências
FURTADO, Júlio. Habilidades e competências na sala de aula: o que sai e o que fica? Julio Furtado. Disponível em: http://juliofurtado.com.br/Habilidades%20e%20Competencias%20na%20sala%20de%20aula%20o%20que%20sai%20e%20o%20que%20fica.pdf. Acesso em: 21 jul. 2015.

PERRENOUD, Philippe. Desenvolver competências ou Ensinar saberes? A Escola que prepara para a vida. Porto Alegre: Penso, 2013.

SELBACH, Simone et al. Matemática e Didática. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.


[1] Professora Licenciada em Geografia e Bacharel em Informática – Sistemas de Informação.
[2] Professora Licenciada em Letras.
[3] Professora Mestra em Educação nas Ciências e Licenciada em Matemática.

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